Depois de um tempo tudo acaba.

Como sempre, o único que pode fazer é finalizar. Freqüentemente adiamos esse fim porque queremos reter aquilo que acabou como se ainda estivesse aí. Quanto mais adiamos o fim, tanto menor será o tempo que nos resta para o NOVO próximo.

Assim, por exemplo, adiamos uma tomada de decisão que há muito tempo está pendente, mesmo que as probabilidades de consegui-la com a nossa espera vão se reduzindo, até que ao final acabam. Nosso caminhar no tempo exige que continuamente algo tenha a autorização de acabar. A finalização abre caminho para o que vem.

Também para o amor há um fim de forma que possa prosseguir. O mesmo é válido para a vida. O amor e a vida se renovam porque algo acabou, acabou realmente. O que digo é tão natural e evidente que nos surpreende que seja dito. No entanto, quantas vezes esperamos o novo sem permitir que o velho termine. O arrastamos junto conosco como uma pedra presa à nossa perna, a olhamos continuamente mesmo que complique cada passo, e olhamos para baixo em vez de olhar para frente.

Por exemplo, uma doença ou uma incomodidade: a arrastamos com a gente no pensamento e em nossas lembranças, continuamente tornamos a ressuscitá-la sendo que há muito tempo ela teria preferido acabar.

Fazemos o mesmo com uma culpa e suas conseqüências em nós e em outros. Através de meu mea culpa (“por minha culpa”) a mantemos viva e nos outros através do nosso tua culpa. Com isso abandonamos o nosso paraíso e o deles, mesmo tendo autorização de permanecer nele ou de voltar para ele quando a culpa em nós e nos outros puder acabar.

Vivemos na vida de fim em fim e de novo em novo, com muitos fins e muitos novos, com aquele olhar para frente que se alegra com o novo vindouro e esperando-o ardentemente de instante em instante. Com um amor em cada instante novo e mais rico.

Texto de Bert Hellinger no livro Plenitud – La mirada del Nahual.