“Existe lugar no mundo melhor do que em casa com a mamãe? A criança não sente sua falta quando vai embora? “

Talvez se perguntem:  e se é tão bom ficar em casa com a mãe, porque o João quis sair para o vasto mundo? Por que a mãe chora? João deve ficar porque ainda precisa dela e é muito pequeno para se dar bem sozinho no mundo, ou é a mãe que precisa do filho para não ficar só? Haverá por trás disso outra história que tenha feito a mãe chorar? Quando será o momento certo para o Joãozinho deixar a mãe? Precisará de sua licença para isso? João deve ir embora apesar do choro da mãe? Ele precisa sair de casa e enfrentar a resistência da mãe que quer segurá-lo? Que papel desempenha o pai de Joãozinho? Ele também quer manter o filho em casa, ou mandá-lo para o vasto mundo bem mais cedo que a mãe? O que acontecerá se João não sair de casa cedo de mais, mas tarde demais, ou se absolutamente não deixar a casa dos pais? Sem a mãe, o João ficará triste e sozinho no vasto mundo? Irá procurar imediatamente uma mulher que a substitua?

Uma versão mais curta e poderosa do poema do Joãozinho foi cantada pelo holandês Heintje em sua canção “Mamãe”:

“Jamais esquecerei o que tive ao teu lado
Ninguém na terra me amou com tanta paixão.”

“Alguém vai querer abandonar um amor como esse? Despedir-se dele para sempre?”

Em que situações reais podemos ver os Joãozinhos? Eles podem ser reconhecidos, por exemplo nos: filhos que não conseguem abandonar a casa dos pais; pais que não liberam os filhos; casais que não conseguem separar-se, embora as dificuldades entre eles sejam maiores que o amor; naqueles que acham que precisam postergar todos os seus interesses pessoais pela consciência de sua obrigação por “seu grupo social, sua pátria ou sua empresa”.

E a final qual é a saída para a mãe de Joãozinho? O que ela pode fazer para não se entristecer com a partida do filho? Em primeiro lugar, ela tem que ter desenvolvido em si o seu lado adulto saudável e saber cuidar da sua criança interna, assim, ela não precisa chorar, ela não precisa do Joãozinho para ser feliz. Ela leva o filho sempre em seus pensamentos e em seu coração, ela tem o seu próprio caminho. E o Joãozinho poderá ir sem culpa para o vasto mundo e desfrutar da sua autonomia e… a sua mãe também.

Mas o que é autonomia e para que serve? Ser autônomo significa, entre outras coisas:

  • Fazer algo por si mesmo
  • Basear-se no próprio saber
  • Cuidar de si e satisfazer as próprias necessidades
  • Tomar as próprias decisões, apesar das expectativas alheias
  • Não renunciar às próprias metas para atender às preocupações ou ao sofrimento de outras pessoas
  • Resistir às pressões emocionais
  • Não aceitar suborno financeiro
  • Não abrir mão dos valores que preza, apesar de eventuais pressões de outras pessoas
  • Trabalhar na própria identidade, estar consciente das próprias raízes e da própria origem familiar e cultural, sem entretanto fundir-se
  • Assumir a responsabilidade pelo própria vida e não culpar outros por ela não ser como sonhou algum dia.

Há por ai muitos Joãozinhos e as suas respectivas mães…. mas eles podem reescrever as suas histórias.

O texto foi adaptado do livro Simbiose e Autonomia nos Relacionamentos – O trauma da dependência e a busca da integração pessoal de Franz Ruppert. O escolhi porque ele é perfeito para explicar uma dinâmica muito comum em nossa sociedade e que as constelações ajudam a desvendar, de maneira que possamos viver com autonomia emocional.