Freqüentemente me perguntam “Você já viu numa constelação alguma família perfeita?

Nunca vi , e provavelmente nunca verei…

Segundo Bert Hellinger, para o sistema “família”, o vínculo, a ordem e o equilíbrio dar e tomar são parâmetros centrais que deverão ser realizados nos sistemas familiares para permitir ao sistema e também aos respectivos membros do sistema uma forma de agir “saudável” e livre de complicações.

Por tanto, para vermos numa constelação (ou na vida real) uma família perfeita o único pré-requisito é que esta faça jus às 3 dinâmicas ao mesmo tempo e na mesma medida, correto?

Fácil de dizer, porém impossível de realizar no contexto da nossa realidade material.

A observação da ordem pode comprometer o vínculo (e vice versa), uma vez que a compensação pode perturbar gravemente a ordem. Não há praticamente qualquer ação que possa ser atribuída isoladamente a uma das 3 áreas. Essa sobreposição impede que o indivíduo mantenha as 3 áreas no estado de equilíbrio proposto.

O motivo é bastante simples, as famílias à semelhança de outros sistemas naturais dependem do movimento. Isso significa que um estado no qual as forças de vinculo, da relação de ordem e a compensação entre dar e tomar tenham um valor absolutamente compensado, representaria a morte estática do sistema.

Se olharmos do ponto de vista da teoria sistêmica, sistemas vivos e dinâmicos precisam trabalhar permanentemente para compensar novamente os estados de desequilíbrio por estes causados. O alcance final desse equilíbrio significa um estado de tranqüilidade que – colocando de forma objetiva – cada sistema só assumirá uma vez – na extinção do referido sistema.
Isto pode ser mais bem compreendido ao lembrarmos que as formas de interação corretas dentro das dinâmicas do sistema precisam ser aprendidas: nem toda mãe e nem todo pai logo possuem consciência do significado de seu papel de pais; possivelmente eles se desenvolvem em seu papel no decorrer do tempo e no âmbito de um processo de aprendizado acompanhado por conflitos. Violações de regras, portanto, já estão programadas (e esperadas).

Com isso a ação do indivíduo coloca o sistema como um todo constantemente em estados de desequilíbrio, que mantém o sistema como um contexto vivo de ação, o qual, apesar da sua tendência em direção a um estado de equilíbrio geral, nunca consegue alcançar esse estado de quietude.

O paradoxal é que esta impossibilidade de equilíbrio é precisamente o que nos faz evoluir e melhorar constantemente.

Talvez agora possamos olhar para nossos conflitos de relacionamento com novos olhos… olhos de compreensão e quem sabe até de entusiasmo e gratidão… ser imperfeito é estar vivo, em movimento, em evolução!!!

Texto adaptado de Klaus Grochowiak e Joachim Castella