Ao olharmos para os relacionamentos humanos, vemos que o que comumente chamamos de bom ou de mal, é o que nos aproxima ou o que nos afasta dos outros, respectivamente.

Quando dizemos, este homem é bom, o que queremos dizer é que seus comportamentos e atitudes estão em acordo com as nossas próprias atitudes e comportamentos. O mesmo acontece quando dizemos que é mau. Neste caso, o consideramos mau porque fere o nosso código moral.

Dizer que alguém é bom, é também dizer de alguma forma que pode pertencer ao meu grupo social. Os bons têm a minha “benção” para serem como são.

Dos maus eu me afasto, os ignoro, os censuro. Faço qualquer coisa para mantê-los longe, ou quem sabe até eliminá-los completamente da minha vida…. para proteger a mim mesmo e ao meu grupo.

O código moral não é universal. É fruto de regras e acordos de grupos específicos. Uma família em um código moral, que provavelmente está de acordo com o código moral da sociedade em que essa família está inserida. Outras famílias em outras sociedades têm códigos morais específicos. Por exemplo, monogamia ou poligamia.

O código moral nos faz sentir em paz quando fazemos e temos os comportamentos do nosso grupo. Sentimo-nos felizes com eles e os do nosso grupo estão felizes conosco.  E não só isso. O código moral nos exige que censuremos e afastemos àqueles que violam o nosso código moral… e se necessário os eliminemos do nosso convívio.
Desta maneira, nos sentimos com todo o direito do mundo, e muito BONS ao julgar, censurar, corrigir e fazer tudo o necessário para eliminar àqueles a quem consideramos maus.

Vejamos por exemplo a monogamia e a poligamia. Para algumas sociedades a monogamia é vista como BOA e, em outras o apropriado é a poligamia. Dentro da sociedade ocidental, por exemplo, o código moral exige que os casais sejam monogâmicos. Qualquer desvio deste comportamento é censurado, é MAU. O mesmo fato, ou seja, ter várias mulheres, como nas sociedades árabes; ou ter vários homens, como nas sociedades poliandricas do norte da Índia, ou ainda; várias mulheres e homens em relacionamento estável como nos grupos que praticam o poliamor, é considerado BOM. Um único fato, diversas interpretações.

Quais são os benefícios deste mecanismo de reconhecimento do bem e do mau ativado pelo código moral? Em primeiro lugar, dá-nos o apoio e a proteção do grupo ao que pertencemos. Nos faz sentir seguros, dá-nos estabilidade.

Quais são as desvantagens? A mais preocupante… nos torna pessoas perigosas. Pessoas capazes de machucar outros, pelo simples fato de serem diferentes de mim e do meu grupo. Sentimos-nos no direito e no dever de fazer algo com elas para diminuir ou eliminar a sua influência e a sua existência.

Em segundo lugar, podemos ser vítimas também desta exclusão. No momento em que, por algum motivo, o nosso código moral mude e inclua comportamentos e atitudes diferentes dos de aquele grupo, seremos vítimas do mecanismo automático de regulação e de proteção do grupo, o seu código moral. Ele dita o que é bom e o que é mau. Seremos censurados e excluídos.

Por exemplo, numa família onde tradicionalmente seguiu-se a religião X e de repente um de seus membros decide que para ele é mais adequado seguir a religião Y. Esta pessoa será vista como inadequada, ou quem sabe até como uma má influência a ser evitada por todos.

O que é bom e o que é mau? Já vimos que depende das lentes do nosso grupo. É importante saber disto para poder ter real autonomia em nossas decisões.

Ao afirmar “isto é bom”, perguntar: para quem?

De repente podemos descobrir que é bom para o grupo, mas não é bom para mim, ou vice-versa. E se não é bom para mim… será que tenho a fortaleza e a autonomia de ainda assim escolher o que é bom para mi e arriscar a ser excluído deste grupo?